Calçada verde com hortaliças, ervas e flores, em Cotia (SP).
Calçada verde com hortaliças, ervas e flores, em Cotia (SP). Foto: Makaia.
ESG

Projetos ambientais para o relatório ESG: o que conta de verdade

Como transformar as áreas verdes da empresa em ações contínuas e mensuráveis, e por que um plantio simbólico não basta para o relatório.

por Equipe Makaia · Publicado em 6 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

O relatório ESG deixou de ser um documento opcional para muitas empresas brasileiras. Em outubro de 2023, a Comissão de Valores Mobiliários publicou a Resolução CVM nº 193, que adota no Brasil o padrão internacional do ISSB para informações de sustentabilidade. A adoção começou de forma voluntária e passou a ser obrigatória para as companhias abertas a partir de 2026. E mesmo quem não está na bolsa sente a cobrança: grandes clientes, investidores e editais passaram a pedir evidências do que a empresa faz pelo meio ambiente e pelas pessoas ao redor.

Para organizações de qualquer porte, a Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou em dezembro de 2022 a prática recomendada ABNT PR 2030, com conceitos e um modelo de avaliação que vai de um estágio elementar até o transformador. O recado das duas referências é o mesmo: o que conta é a prática contínua, com evidência.

O que o relatório pede: ação contínua e evidência

Um plantio no Dia do Meio Ambiente rende uma boa foto, mas dificilmente vira indicador. O relatório pede ações que possam ser acompanhadas ao longo do tempo, com começo, meio e números: quanto foi implantado, quanto foi mantido, quantas pessoas participaram, o que mudou.

Isso não significa projetos gigantes. Significa projetos desenhados para serem medidos desde o primeiro dia, com responsáveis, rotina de manutenção e registro.

Greenwashing: quando a comunicação vai além da prática

Chama-se de greenwashing a comunicação ambiental que promete mais do que a empresa entrega: uma ação isolada apresentada como estratégia, um número sem origem, uma foto que não se repete no ano seguinte. Além do risco à reputação, isso fragiliza o próprio relatório, que cada vez mais passa por verificação independente.

A melhor proteção é simples: comunicar só o que tem registro, e preferir indicadores modestos e verdadeiros a promessas grandes e vagas.

Projetos ambientais que geram indicadores

As áreas verdes da própria empresa costumam ser o ponto de partida mais concreto. Alguns exemplos de projetos e do que eles permitem medir:

  • Jardins e calçadas verdes com espécies nativas: área implantada, número de espécies, sobrevivência das mudas.
  • Compostagem dos resíduos orgânicos do refeitório: quilos desviados do aterro por mês, composto produzido e reaproveitado.
  • Meliponário com abelhas nativas sem ferrão: colônias mantidas e espécies de ocorrência natural na região, como pede a regulamentação federal.
  • Hortas corporativas: área cultivada, colheita, participação dos colaboradores.
  • Formação e vivências com colaboradores: horas de atividade e número de participantes.
Na prática
  • Escolha 2 ou 3 indicadores antes de plantar, não depois.
  • Fotografe e meça o ponto de partida (a linha de base).
  • Defina quem registra os dados e com que frequência.
  • Guarde notas, listas de presença e fotos datadas: são a evidência do relatório.

Como conectar com os ODS

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU são uma linguagem comum nos relatórios. Projetos de áreas verdes costumam dialogar com o ODS 11 (cidades sustentáveis), o ODS 12 (consumo e produção responsáveis, no caso da compostagem), o ODS 13 (ação climática) e o ODS 15 (vida terrestre e biodiversidade). Quando há formação de pessoas, entra também o ODS 4 (educação de qualidade).

Vale mostrar a conexão com cuidado: o projeto contribui para um objetivo, não resolve o objetivo inteiro.

Por onde começar

Comece pequeno e com método: um espaço, um ou dois indicadores, um grupo de colaboradores envolvido. Depois de um ciclo completo, com plantio, manutenção e registro, fica muito mais fácil ampliar e contar essa história no relatório com segurança.

Se o próximo passo for escolher o projeto certo para o seu espaço, o primeiro passo é olhar para o terreno, para as pessoas e para o que a empresa já faz.

Fontes e materiais gratuitos

ESGrelatório de sustentabilidadeáreas verdesempresasindicadoresgreenwashing
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