
Soluções baseadas na Natureza (SbN): o que são e exemplos em empresas
Trabalhar com a natureza, e não contra ela: o conceito por trás dos parques naturalizados, jardins de chuva e telhados verdes, explicado sem jargão.
Mudanças climáticas, enchentes, ilhas de calor e perda de biodiversidade costumam ser enfrentadas com obras de concreto: mais tubulação, mais canal, mais ar-condicionado. As Soluções baseadas na Natureza (SbN) propõem outro caminho: usar os próprios ecossistemas, protegidos, recuperados ou recriados, para resolver esses problemas, trazendo ao mesmo tempo benefícios para as pessoas e para a biodiversidade.
A publicação Soluções baseadas na Natureza para os negócios, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) com a Fundação Grupo Boticário, resume bem a ideia: são ações para proteger, manejar de forma sustentável ou recuperar ecossistemas, que geram bem-estar humano e ganhos para a natureza ao mesmo tempo.
Os dois testes de uma SbN
Para uma ação ser considerada uma Solução baseada na Natureza, ela precisa passar por dois testes:
- Resolve um problema real das pessoas ou da empresa: água da chuva, calor, erosão, qualidade do ar, bem-estar.
- Faz bem à biodiversidade: usa espécies adequadas, cria habitat, recupera solo e água.
Um gramado ornamental bem cuidado passa no primeiro teste talvez, mas raramente no segundo. Um jardim com espécies nativas que segura a água da chuva passa nos dois.
Exemplos em empresas, escolas e cidades
- Parques naturalizados: áreas com relevo, troncos, pedras e vegetação variada, que funcionam como espaço de convivência e brincadeira e como habitat para a fauna.
- Jardins de chuva e valas vegetadas: canteiros mais baixos que recebem a água dos telhados e calçadas e deixam que ela infiltre no solo, aliviando a drenagem.
- Calçadas e cercas vivas: faixas verdes que sombreiam, filtram poeira e conectam áreas verdes.
- Telhados e paredes verdes: reduzem o calor das edificações e criam espaço verde onde não há chão.
- Recuperação de nascentes e matas ciliares: protegem a água e a fauna, especialmente em terrenos maiores.
- Polinizadores: jardins e meliponários que apoiam abelhas e borboletas, essenciais para a produção de alimentos.
- Comece pelo problema: onde a água empoça? Onde faz calor demais? Onde ninguém fica?
- Prefira espécies nativas do bioma local, no nosso caso, a Mata Atlântica.
- Planeje a manutenção junto com o projeto: SbN é viva e muda com o tempo.
- Meça algo antes e depois: temperatura, área permeável, espécies registradas.
Por que interessa às empresas
Além dos benefícios diretos, como conforto térmico, drenagem e bem-estar das equipes, as SbN geram indicadores ambientais concretos para relatórios ESG e ajudam na adaptação às mudanças climáticas. E costumam ter um custo de manutenção compatível com o de áreas verdes convencionais, quando bem planejadas.
O ponto de partida
Toda SbN começa com um bom diagnóstico do terreno: solo, água, sol, vegetação existente e como as pessoas usam o espaço. A partir daí, a natureza faz boa parte do trabalho.
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